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Missão técnica na Baviera aproxima Brasil e Alemanha pela educação ambiental

Com foco no programa Junior Ranger, intercâmbio promoveu a troca de experiências sobre conservação da natureza e pertencimento comunitário.

Como aproximar as novas gerações das áreas protegidas e transformar esse vínculo em cuidado com o território? Essa pergunta orientou a missão técnica realizada entre os dias 19 e 25 de setembro de 2026 no Parque Nacional da Floresta da Baviera, na Alemanha. Com ênfase no programa Junior Ranger, a iniciativa promoveu a troca de experiências sobre educação ambiental, participação comunitária e o papel dos parques na formação de crianças e adolescentes.

Organizada pela bbw, com apoio do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha e da Sequa, a missão reuniu dez participantes responsáveis por liderar a aplicação do programa em seus territórios. A iniciativa aproximou profissionais brasileiros de uma experiência que articula aprendizagem na natureza e relações duradouras entre o parque, as escolas e as comunidades do entorno.

Uma experiência que acompanha gerações

Criado em 1998, o programa Junior Ranger do Parque Nacional da Floresta da Baviera tem como proposta aproximar crianças da região de seu patrimônio natural. Em 2004, a criação da Associação Junior Ranger abriu novas possibilidades de continuidade e participação dos jovens.

Mais de 3.100 jovens já participaram do programa. A formação básica tem duração de quatro dias e acontece durante as férias de Pentecostes ou de verão, com acompanhamento de um guarda-florestal. Depois dessa etapa, as crianças interessadas podem ingressar na Associação e participar de atividades complementares.

Essa continuidade é um dos aspectos centrais da experiência: o primeiro contato com o parque pode se tornar uma relação que acompanha o crescimento dos participantes, criando oportunidades para aprender, conviver e se envolver com a conservação.

Para Mario Schmid, diretor executivo da Associação Junior Ranger do Parque Nacional da Floresta da Baviera e.V, a força do programa está nessa conexão entre infância, natureza e território.

“No Parque Nacional da Floresta da Baviera, o Programa Junior Ranger existe há mais de 25 anos, e a Associação Junior Ranger e.V., há mais de 20 anos. Desde então, mais de 3.000 crianças das comunidades do entorno do Parque Nacional já participaram do programa.

Para mim, esse ainda é o melhor programa de educação ambiental que existe: nele, as crianças descobrem o lugar onde vivem, exploram a natureza ao seu redor e aprendem a se envolver na proteção de seu território. Além disso, o programa cria pontes entre as pessoas e a natureza. Eu simplesmente o considero fantástico.”

Ao olhar para a iniciativa brasileira, Schmid destaca o potencial de construir vínculos semelhantes, respeitando a singularidade dos territórios e da biodiversidade do país.

“Tenho certeza de que o Programa Junior Ranger Brasil será a próxima história de sucesso, ao permitir que crianças das comunidades e cidades do entorno se aproximem das áreas protegidas que estão ao seu redor e descubram a natureza única do Brasil.”

O parque como espaço de aprendizagem

Durante a missão, os participantes conheceram práticas de educação ambiental desenvolvidas no parque, a atuação das escolas amigas do parque e métodos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

As visitas incluíram museus, centros de atendimento, refeitórios e trilhas educativas, permitindo observar como diferentes estruturas contribuem para receber grupos e apoiar experiências de aprendizagem. A programação também contemplou a festa de formatura dos Junior Rangers de 2026, um momento de reconhecimento da participação das crianças e de aproximação com suas famílias.

O intercâmbio abriu espaço para discutir como essas experiências podem inspirar o trabalho no Brasil, considerando as características ambientais, sociais e culturais de cada território. A proposta é fortalecer práticas que façam sentido para as comunidades e estimulem sua participação na vida das áreas protegidas.

Cinco estados, diferentes territórios e um propósito comum

A delegação brasileira reuniu instituições ligadas à educação, ao desenvolvimento local e à conservação em Santa Catarina, Pernambuco, Pará, Acre e Rio Grande do Norte.

De Santa Catarina, participaram representantes do Instituto de Desenvolvimento Econômico Local e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculados à atuação no Parque Nacional de São Joaquim, onde o programa já é desenvolvido.

Pernambuco esteve representado pelo Instituto Garis Marítimos e pelas escolas integrais e integradas envolvidas na realização do programa no Parque Municipal do Forte de Tamandaré.

Do Pará, participaram representantes do ICMbio da prefeitura de belterra e da Escola da Floresta. Do Acre, a missão contou com a Associação Wilson Pinheiro e a Secretaria de Educação de Epitaciolândia, relacionadas à atuação na Reserva Extrativista Chico Mendes. O Rio Grande do Norte foi representado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), com foco no programa desenvolvido no Parque das Dunas, em Natal.

Essa diversidade ampliou as possibilidades de troca, reunindo experiências de diferentes regiões brasileiras em torno de um compromisso compartilhado: aproximar crianças e adolescentes da natureza e da realidade dos lugares onde vivem.

Inspiração para transformar os territórios brasileiros

Para Michel Omena, analista ambiental do ICMBio SC e participante da missão, conhecer a experiência da Baviera trouxe referências importantes para o trabalho nas áreas protegidas brasileiras.

“Conhecer Parque Natural da Baviera, foi muito importante para nós, gestores ambientais, porque trouxe muita inspiração, muito conhecimento para que a gente possa aplicar no Brasil.”

O intercâmbio também estimulou uma reflexão sobre como adaptar os aprendizados às condições de cada território. Embora existam diferenças entre os recursos disponíveis no Brasil e na Alemanha, Michel destaca as possibilidades de atuação com os meios existentes.

“Evidentemente, os nossos recursos não são do tamanho dos recursos dos alemães, mas a gente pode ver que, mesmo um pequeno recurso, mas boa vontade, a gente consegue também fazer um bom trabalho.”

Para o analista, a experiência mostrou caminhos para levar os aprendizados às crianças atendidas pelas iniciativas brasileiras.

“Durante a missão vimos que dá para fazer, dá para levar esse conhecimento e transformar esse conhecimento para as crianças do Brasil.”

Aprender a conservar, fortalecer o pertencimento

O Junior Ranger Brasil é um programa estruturado de educação ambiental voltado a crianças e adolescentes que vivem no entorno de unidades de conservação. Além de abordar o meio ambiente e as mudanças climáticas, a iniciativa busca fortalecer o vínculo entre as novas gerações, as áreas protegidas e suas comunidades.

Nesse processo, conhecer o parque envolve também compreender sua relação com a vida local, reconhecer os saberes do território e descobrir possibilidades de participação. A educação ambiental ganha continuidade quando crianças e adolescentes encontram oportunidades de fazer parte dessa relação.

Ao reunir representantes que conduzem o programa no Brasil, a missão técnica criou um espaço de aprendizagem conjunta e de reflexão sobre os próximos passos em cada território. A experiência na Baviera oferece referências para fortalecer iniciativas brasileiras e ampliar o diálogo entre instituições, educadores, famílias e comunidades.

O horizonte comum é formar gerações que conheçam, valorizem e participem do cuidado com as áreas protegidas — reconhecendo nesses espaços uma parte de sua própria história.

Para saber mais sobre o Programa Junior Ranger Brasil, acesse o site

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