Projeto de Turismo Pedagógico nas Escolas de Apodi/RN, Brasil.

História selecionada para a lista TOP 100 Stories Competition em 2023

Resumo da Boa Prática

A proposta do Projeto de Turismo Pedagógico é promover a conscientização ambiental dos estudantes por meio de práticas pedagógicas relacionadas ao turismo, proporcionando uma interação direta com essa temática no ambiente escolar. O projeto também busca desenvolver a Educação Ambiental de forma contínua e permanente, conforme estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental — PNEA (Lei nº 9.795/1999).

Além disso, a iniciativa pretende fortalecer a Educação Ambiental como tema transversal, por meio de um conjunto integrado de ações, considerando que essa temática não deve ser trabalhada de maneira isolada. O processo de sensibilização contribui para ampliar o conhecimento da população local e fortalecer seu sentimento de pertencimento em relação aos atrativos turísticos do município.

Descrição do destino

Apodi é um município localizado na região Oeste do estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Com uma extensão territorial de 1.602,477 km², é o segundo maior município do estado. Sua população é estimada em 36.118 habitantes (IBGE, 2022).

Antes do processo de colonização, iniciado pelos espanhóis na Missão de São João do Apodi, em 1499, o território era habitado por povos indígenas da aldeia Tapuias Paiacus. O distrito de Apodi foi criado em 1766 e elevado à categoria de cidade em 1833 (APODI, 2017).

O município é banhado pelo rio Apodi/Mossoró, principal curso d’água da Bacia Hidrográfica Apodi/Mossoró, que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das atividades econômicas locais, especialmente a agricultura e a pecuária.

O território municipal está organizado em quatro regiões: Pedra, Vale, Chapada e Areia. Cada uma delas reúne diferentes atrativos turísticos, atividades produtivas e manifestações culturais:

  • Na região da Pedra, destacam-se a Barragem de Santa Cruz, a Colônia de Pescadores e o Casarão do Sítio Ameno.
  • Na região do Vale, encontram-se a produção de arroz, o artesanato em cerâmica e palha, a produção de polpas de frutas no Sítio Rio Novo, a Casa de Farinha do Sítio Carpina e a Cachaçaria Nova Malhada.
  • Na região da Chapada, os principais atrativos são o Lajedo de Soledade, o Museu de Soledade, a Igreja de Soledade, o Mirante dos Padroeiros e o vinhedo da Agrícola Cruzeiro da Serra.
  • Na região da Areia, destacam-se a Casa de Farinha de Apodi, a produção de mel e, no Sítio Córrego, a produção de leite, castanha de caju e seus derivados, além da Feira de Arte e Cultura do Córrego.

Na área urbana, o município também conta com importantes atrativos turísticos e culturais, entre eles a Igreja Matriz, o Casarão Raimunda Dantas, o Casarão Vila Lourdes, o Calçadão da Lagoa, o Balneário da Lagoa, o Museu Indígena Luiza Cantofa, a Casa da Cultura, o Mercado Público, a Feira Livre e a Associação Cultural e Desportiva Apodiense.

Problemas enfrentados

Com o objetivo de ampliar o conhecimento da população local sobre os atrativos turísticos do município, o vereador Adailton José Targino apresentou o Projeto de Lei nº 229/2022, que propôs a criação da Semana do Turismo Pedagógico na rede municipal de ensino. A iniciativa previa a realização de atividades extracurriculares para proporcionar aos estudantes o acesso ao patrimônio cultural, artístico e turístico de Apodi. Em 15 de agosto de 2022, o projeto foi sancionado como Lei Municipal nº 1.884/2022.

A legislação foi discutida no âmbito das câmaras técnicas do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). A partir dessas discussões, foi elaborado o Projeto Semana do Turismo Pedagógico, realizado em conjunto com a Semana do Meio Ambiente de 2023. A iniciativa contou com o apoio direto das Secretarias Municipais de Educação; Turismo; e Agricultura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Pesca.

Outra ação que contribuiu para o fortalecimento do projeto foi a distribuição, pela Prefeitura de Apodi, do livro educativo “Apodi, Cidade da Gente”. Destinado aos estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental da rede municipal, o material pode ser utilizado em componentes curriculares como Ciências, Geografia, História, Língua Portuguesa e Matemática, entre outros, o que possibilita uma abordagem interdisciplinar.

O projeto foi apresentado à Secretaria Municipal de Educação em reuniões que contaram com a participação do secretário, da equipe pedagógica, de diretores e professores, além da equipe técnica do Programa de Desenvolvimento Econômico Local (DEL) e de representantes do COMTUR. A proposta consistiu em utilizar o projeto como instrumento para viabilizar visitas aos locais apresentados no livro.

Para adequar-se à estrutura curricular das diferentes etapas de ensino, o projeto passou por ajustes e pode ser aplicado a estudantes de qualquer ano escolar, com adaptações progressivas de acordo com a faixa etária.

Os atores envolvidos na implementação decidiram realizar as primeiras atividades durante a Semana do Meio Ambiente, entre os dias 5 e 15 de junho de 2023. Para isso, foi elaborado um cronograma de visitas aos atrativos turísticos, considerando a idade dos estudantes.

O roteiro foi definido conjuntamente pela Secretaria Municipal de Educação, pela Secretaria Municipal de Turismo, por meio do COMTUR, e pela Secretaria Municipal de Agricultura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Pesca. Elaborado para estudantes com idades entre 7 e 10 anos, o percurso contemplou as seguintes atividades:

  • Visita ao Programa de Reposição Florestal, desenvolvido nas instalações da Secretaria Municipal de Agricultura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Pesca;
  • Caminhada pelas trilhas entre as mudas cultivadas pelo Programa de Reposição Florestal;
  • Plantio de mudas para simbolizar a participação dos estudantes de cada escola na área do programa;
  • Distribuição de plantas nativas do bioma Caatinga aos estudantes;
  • Passeio pelo centro histórico de Apodi;
  • Caminhada pelo Calçadão da Lagoa de Apodi;
  • Visita às instalações e à área externa do Museu Indígena Luiza Cantofa, que ainda não havia sido inaugurado;
  • Visita ao Balneário da Lagoa.

Participaram da iniciativa as seguintes instituições de ensino:

  • Escola Municipal Lindaura Silva, em 5 de junho de 2023, com 15 estudantes;
  • Escola Municipal Isabel Aurélia Torres, em 6 de junho de 2023, com 22 estudantes;
  • Escola Municipal Francisco Targino da Costa, em 7 de junho de 2023, com 19 estudantes;
  • Escola Municipal 12 de Outubro, em 12 de junho de 2023, com 15 estudantes;
  • Escola Municipal Francisco Alcivan Pinto, em 13 de junho de 2023, com 15 estudantes;
  • Escola Veríssimo Gama, em 14 de junho de 2023, com 11 estudantes;
  • Escola Municipal Neval Machado Barros, em 15 de junho de 2023, com 16 estudantes.

Ao todo, a ação envolveu 113 estudantes e 35 integrantes das equipes pedagógicas e do corpo docente de sete escolas.

A Secretaria Municipal de Turismo, por meio do COMTUR, e a Secretaria Municipal de Educação pretendem ampliar a execução do projeto para todos os anos do Ensino Fundamental. Também propõem que a iniciativa seja implementada nas escolas das redes estadual e privada de ensino.

Soluções

Para reduzir os impactos causados pelo turismo e pelas embarcações, o Projeto Golfinho Rotador adotou medidas como:

  • Estabelecimento de normas específicas de proteção, como a limitação do acesso a determinadas áreas, a proibição de banhos ou mergulhos com os golfinhos, e a definição de regras para embarcações, incluindo limites de velocidade e rotas a serem seguidas na presença dos animais.
  • Restrição do mergulho com golfinhos apenas a pesquisadores autorizados, utilizando a técnica do mergulho passivo, que permite a observação sem interferir no comportamento natural dos animais. As informações obtidas são transformadas em pesquisas científicas, materiais educativos e diretrizes de conservação.
  • Promoção da observação sustentável, visualização dos golfinhos a partir de pontos fixos, como o Mirante dos Golfinhos e o Forte Nossa Senhora dos Remédios ou por meio de embarcações que seguem as normas ambientais. Apesar das restrições, esse tipo de passeio é o mais popular da ilha e representa uma importante fonte de emprego e renda para os moradores locais.

Com o passar dos anos, o Projeto Golfinho Rotador consolidou-se como um dos maiores programas ecológicos de longa duração voltados para golfinhos no mundo, com 35 anos de atuação contínua, que entre outras ações inclui:

  • Desenvolvimento de um amplo programa de pesquisa científica sobre os golfinhos e a biodiversidade do arquipélago;
  • Educação e sensibilização ambiental de moradores e visitantes sobre a importância da conservação e do papel dos golfinhos-rotadores. O programa educativo é realizado há mais de 35 anos nas duas únicas escolas da ilha, atendendo crianças e jovens de 3 a 18 anos. Também são promovidas palestras para os visitantes;
  • Capacitação de moradores locais, permitindo que atuem como multiplicadores de informação qualificada para os turistas, contribuindo para a geração de emprego e renda na comunidade.
Métodos e ferramentas aplicadas

A origem da ONG Centro Golfinho Rotador está na Eco 92, ocasião em que o oceanógrafo José Martins encontrou diversas pessoas e compartilhou as dificuldades de implementar e oficializar um projeto. Durante esse evento, ele teve a oportunidade de conversar com Jacques Cousteau, renomado oceanógrafo e explorador francês, conhecido por sua defesa do meio ambiente e paixão pelos oceanos. Cousteau aconselhou José Martins sobre a importância de criar uma instituição com foco específico nos golfinhos, utilizando-os como símbolo do desenvolvimento socioeconômico ambiental de Fernando de Noronha.

Inspirado por esse conselho, José Martins retornou a Fernando de Noronha e, junto com Flávio Lima, que foi estagiário e posteriormente presidente da ONG por muitos anos, Maria Amália Krause, jornalista residente na ilha e então diretora do único hotel da ilha, e Andreia Pontual, economista de Pernambuco, fundaram a ONG Centro Golfinho Rotador em 23 de setembro de 1992.

A missão da ONG é desenvolver ações em prol da conservação e da sociobiodiversidade do Oceano, de Fernando de Noronha e dos golfinhos. Sua visão é tornar-se referência mundial na conservação dos ecossistemas insulares oceânicos por meio da educomunicação e pesquisa de golfinhos.

 Para atingir esse objetivo, o projeto implementa quatro programas principais: pesquisa, educomunicação ambiental, envolvimento comunitário e sustentabilidade.

Programa Pesquisa: Este programa é composto por dois subprogramas, o estudo da história natural dos golfinhos-rotadores e o estudo do turismo de observação de fauna. O estudo da história natural inclui etapas como a ocupação e distribuição de cetáceos, ecologia comportamental, foto e vídeo identificação, caracterização genética, estudo do comportamento trófico dos golfinhos-rotadores, interação do turismo com os golfinhos e a Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos. Já o estudo do turismo de observação de fauna monitora e avalia economicamente essa atividade, focando em 15 espécies, das quais 13 estão ameaçadas de extinção.

Programa Educomunicação Ambiental: Focado na temática marinha e nas inter-relações ecológicas, este programa divide suas ações entre a comunidade escolar e os visitantes. Em Fernando de Noronha, o Projeto atua nas duas únicas unidades escolares e oferece palestras e orientações aos turistas em pontos de observação de fauna, como o Mirante dos Golfinhos e o Forte dos Remédios. Também empresta binóculos e distribui material informativo e educativo aos visitantes.

Programa Envolvimento Comunitário: Este programa visa estimular a comunidade local a atuar em prol do desenvolvimento sustentável de Fernando de Noronha. Promove a cidadania através da criação e gestão de conselhos comunitários e incentiva o protagonismo juvenil e a formação de lideranças locais. Além disso, apoia iniciativas culturais e esportivas, como o Grupo Cultural Dona Nanete e a Associação de Surf de FN.

Programa Sustentabilidade: O objetivo deste programa é ajudar a comunidade noronhense a desenvolver uma relação harmoniosa entre as atividades humanas e a conservação do meio ambiente. Internamente, seguimos uma Política de Sustentabilidade e um Sistema de Gestão Sustentável, que nos rendeu o 1º lugar no Prêmio Procel. Oferecemos formação profissional em ecoturismo e consultoria gratuita em gestão sustentável aos prestadores de serviços turísticos da ilha, visando melhorar indicadores como uso da água, eficiência energética, gestão de resíduos, insumos sustentáveis, conformidade legal, trabalho e renda.

Elementos Críticos que ajudaram no progresso da iniciativa no destino:

  1. Educação e Sensibilização: Programas educativos para sensibilizar a comunidade local e os turistas.
  2. Pesquisa Científica: Estudos contínuos para orientar ações e avaliar impactos.
  3. Engajamento Comunitário: Participação ativa na comunidade local.
  4. Parcerias Estratégicas: Colaborações com instituições acadêmicas, ONGs e órgãos governamentais.
  5. Monitoramento e Avaliação: Análise constante dos resultados para ajustes e melhorias.

Esses elementos foram essenciais para que o Projeto Golfinho Rotador alcançasse progressos significativos na abordagem dos problemas de sustentabilidade, gerando benefícios duradouros para a sociedade e o meio ambiente.

Fatores-chave para o sucesso

A atuação integrada dos diferentes atores envolvidos — Poder Executivo Municipal, Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), organizações da sociedade civil e empresas do setor turístico — foi fundamental para viabilizar a execução do projeto.

A inclusão do livro educativo “Apodi, Cidade da Gente” no planejamento pedagógico das escolas municipais teve importância decisiva para a aceitação da iniciativa pela Secretaria Municipal de Educação. O material facilitou a realização de visitas aos atrativos turísticos locais e valorizou os recursos naturais e culturais do destino, contribuindo para fortalecer o conhecimento e o sentimento de pertencimento da população em relação ao território.

A iniciativa também fortaleceu a implementação da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), ao incorporar práticas contínuas de sensibilização e aprendizagem relacionadas ao meio ambiente.

Outro fator determinante para o sucesso do projeto foi a integração de temas ambientais, históricos, culturais, econômicos e sociais ao planejamento das secretarias municipais, com base em uma proposta de desenvolvimento sustentável para Apodi.

O projeto contribuiu diretamente para os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030:

  • ODS 3 — Saúde e Bem-Estar;
  • ODS 4 — Educação de Qualidade;
  • ODS 8 — Trabalho Decente e Crescimento Econômico;
  • ODS 15 — Vida Terrestre.
Lições aprendidas

Uma das principais lições aprendidas foi a importância do envolvimento dos atores locais por meio de uma gestão participativa, com a atuação conjunta do poder público municipal, da sociedade civil e do setor empresarial. Essa experiência gerou um impacto duradouro entre os participantes do projeto e demonstrou que a cooperação entre diferentes setores é essencial para o desenvolvimento de iniciativas sustentáveis.

O planejamento participativo também se mostrou fundamental para reunir os atores locais e promover uma reflexão estratégica sobre o território. Esse processo foi fortalecido pelo envolvimento de lideranças como o prefeito, vereadores, representantes das secretarias municipais, organizações da sociedade civil e entidades empresariais.

Outro desafio foi despertar o interesse dos profissionais da educação para a importância da articulação entre diferentes secretarias na execução do projeto, especialmente diante do potencial turístico de Apodi. Nesse contexto, a iniciativa ampliou a interação entre a administração pública e os atores locais do turismo representados no COMTUR, incluindo integrantes do setor privado e da comunidade. Essa aproximação, fundamentada no planejamento participativo, foi decisiva para promover a sustentabilidade do destino.

Também foi necessário ampliar, de maneira efetiva, o debate sobre as questões ambientais nas escolas do município, em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA).

As visitas de estudantes e professores aos atrativos turísticos contribuíram para ampliar a compreensão sobre a importância da preservação ambiental e histórica de Apodi, fortalecendo a consciência ambiental dos participantes. A experiência também despertou o sentimento de pertencimento e favoreceu a criação de vínculos sociais, econômicos e ambientais com o município.

Conquistas e resultados

A principal conquista do projeto foi a conscientização socioambiental dos estudantes por meio das visitas aos atrativos turísticos locais, o que contribuiu para fortalecer o sentimento de pertencimento entre os participantes.

Outro resultado importante foi o aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem por meio das atividades de campo. As visitas proporcionaram uma aprendizagem mais dinâmica em componentes curriculares como Ciências, Geografia e História, relacionando os conteúdos estudados à realidade local.

A mobilização e a cooperação entre os principais atores responsáveis pela implementação do projeto superaram as expectativas. A redescoberta das belezas naturais e dos atrativos turísticos do município despertou nos estudantes sentimentos de orgulho, pertencimento e valorização do território, uma vez que muitos deles desconheciam o potencial turístico da própria cidade.

Como resultado indireto, espera-se que os estudantes da rede municipal reconheçam o potencial do turismo e as oportunidades sociais e econômicas proporcionadas pela atividade. O projeto também pode contribuir para promover o turismo local e ampliar a visibilidade de Apodi por meio das redes sociais, de ações de marketing e de outros canais de comunicação.

Recomendações para outros destinos

Recomenda-se fortalecer e organizar o Conselho Municipal de Turismo para estimular, por meio de suas câmaras técnicas, o envolvimento das escolas em iniciativas de turismo pedagógico.

O projeto também pode ser utilizado como instrumento de articulação entre o turismo e outras áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do destino. A integração do setor turístico às ações educacionais pode contribuir para ampliar a conscientização ambiental, promover a mobilidade e o intercâmbio entre municípios e fortalecer o sentimento de pertencimento da população local.

É fundamental estimular parcerias entre o poder público, a sociedade civil e os agentes econômicos, com base em processos de planejamento participativo. Além disso, a implementação de ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pode contribuir para o desenvolvimento integrado do município.

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